O Tempo não Para.
28 de junho de 2013
23 de junho de 2013
Adjetivando
Óculos, cabelos penteados, blusa sem estampa.
Tradicional, convencional, carola, puritano.
Rinite, sinusite, Nietzsche.
Maniático, hipocondríaco, hipócrita.
Não dança, não fuma, não bebe, não fala palavrão... Não transa?
De saco cheio, cansado, entediado, frustrado.
Chato.
Tradicional, convencional, carola, puritano.
Rinite, sinusite, Nietzsche.
Maniático, hipocondríaco, hipócrita.
Não dança, não fuma, não bebe, não fala palavrão... Não transa?
De saco cheio, cansado, entediado, frustrado.
Chato.
22 de junho de 2013
Fazendo meus amigos de otários
Amo cada minuto ao lado dessa gente intelectual, criativa, despretensiosa, bonita, sensível e pensante.
18 de junho de 2013
Traduzir-se, de Ferreira Gullar
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
"Quando uma ideia se junta a uma carga emocional, se torna o que há de mais poderoso, mais profundo, mais memorável. Você pode esquecer o dia que viu um corpo na rua, mas a morte de Hamlet lhe assombra para sempre. A vida por si própria, sem a arte para moldá-la, deixa-o na confusão e no caos, mas a emoção estética harmoniza o que você sabe com o que sente, para dar-lhe uma consciência elevada e uma certeza de seu lugar na realidade. Resumidamente, uma estória bem contada lhe dá o que você não consegue arrancar da vida: experiência emocional significativa. Na vida, experiências tornam-se significativas quando refletidas ao longo do tempo. Na arte, são significativas agora, no instante em que ocorrem."
Story, Robert Mckee.
Dica do Pablo Aguiar.
8 de junho de 2013
1 de junho de 2013
19 de maio de 2013
[...] Havia os decaídos, portadores miseráveis de desprezo honesto, culpados por todos os outros, gastos às vezes antes do consumo, atormentados pela propensão de um lado, pela repulsa do outro, medigos de compaixão sem esmola, reduzidos ao extremo de conformar-se deploravelmente com a solidão. [...]
Trecho de O Ateneu, de Raul Pompéia.
14 de maio de 2013
DIONÍSIO - André L. Soares
Não temo a loucura arriscada
que parece acompanhar tudo que é novo.
O que mais me assusta é a inércia da certeza,
que insiste em macular de tédio o amanhã…
pelo extraordinário que inexiste
nas coisas seguras…
Quão insípidas são essas horas
todas já tão planejadas,
esses passos firmes, por estradas retas,
acinzentando o mundo com prévios resultados…
Sei que posso estar errado…
mas prefiro o inusitado
perigo das curvas.
que parece acompanhar tudo que é novo.
O que mais me assusta é a inércia da certeza,
que insiste em macular de tédio o amanhã…
pelo extraordinário que inexiste
nas coisas seguras…
Quão insípidas são essas horas
todas já tão planejadas,
esses passos firmes, por estradas retas,
acinzentando o mundo com prévios resultados…
Sei que posso estar errado…
mas prefiro o inusitado
perigo das curvas.
9 de maio de 2013
Completamente apático.
Não reivindico liberdade alguma.
Pensando assim, aqui sobre o peitoril da janela, fico vendo o movimento banal dos carros lá fora.
Sei que, para saltar, preciso que meus ossos e músculos estejam fortes, e também que o vento esteja bom. Preciso que o chão esteja no lugar, e que o planeta não esteja em chamas.
Não depende de mim saltar.
Então, vou ficar aqui parado. Estico minhas patas o máximo possível, tombo minha cabeça peluda sobre elas. Isto eu escolhi.
Só não fecho os olhos. Não fecho os olhos porque não quero sentir como se estivesse dormindo. Quero que fique evidente que estou acordado - e vivo. Apenas escolhi estar inerte.
Porque geralmente a vida é confundida com movimento, mas não é.
E ficar parado, ao menos, é uma escolha. Me sinto livre para isso.
Creio que o humano que me alimenta pensa algo assim; ele prefere não dormir com ninguém, pois sente que esta é a escolha mais independente da vida de um ser vivo. Porque a natureza grita: "reproduza-se"!, mas ele responde: "não".
26 de abril de 2013
21 de abril de 2013
Visita ao fim do mundo
Esta fotografia é de um dos muitos túmulos do cemitério da Irmandade de São Miguel e Alma, em Porto Alegre. Não estou bem certo se é legal publicá-la sem autorização, mas vou arriscar. É que esta, como tantas outras imagens, me deixou intrigado.
Veja bem. Você visita aquele lugar imenso - um verdadeiro condomínio de cadáveres, com vários andares, alas e escadarias -, e não pode deixar de refletir, nem que seja um pouco, sobre a extensão da vida e, claro, sobre a finitude de sua própria existência.
São tantas datas e tantos rostos! Todos eles habitaram este planeta, viveram no mesmo lugar onde você vive agora, e visitaram também sabe-se lá quantos outros lugares! Quantas experiências tiveram, quantos sorrisos, trejeitos, amores, opiniões, estudos, carreiras...! Para cada fotografia, assinatura, nome, a sua imaginação dispara: teria sido uma bailarina? Teria alguma vez participado de uma marcha de protesto? Teria sido um avô sábio? Teria escrito algum livro, ou uma carta ao menos, onde tivesse registrado seus pensamentos?
Ou, mesmo tendo sido apenas um operário, bancário, secretária ou enfermeira - assim, nada com muito glamour -, teria sido uma pessoa grave? Reflexiva? Já chorou de decepção? Já xingou Deus?
Não é pena, necessariamente. É mais curiosidade. Tudo bem, há sim um lamento intrínseco nesta contemplação... Afinal, nenhum deles vai poder voltar e lhe contar como foi estar vivo. Então, você vai ter de se conformar, e esperar a sua vez de deixar outro visitante curioso.
Mas, o que realmente marca é esta realidade: não importam seus sonhos, sua posição social e seus feitos em vida, pois, no final, você vai escorrer pelo mesmo ralo. Inevitavelmente.
Então, qual a lição que você tira disso tudo? Esta: não se preocupe com o amanhã, nunca pense em "deixar a sua marca no mundo", não dê satisfações ao céu, nem aos homens ao redor. Simplesmente viva.
Simplesmente viva e aconteça.
6 de abril de 2013
18 de março de 2013
Perda, de José Nedel
Ficou-me duro de roer este osso
Outrora – a desventura de perdê-la
Hoje prescindo dos favores dela:
Bebo água limpa do meu próprio poço.
Sofrer até um limite xis eu posso,
Já que torna a alma resistente e bela,
Entre na trama austera da novela
Da vida que escolhi e ainda endosso
Não são os males ditos naturais,
Mas os do coração que doem mais
Há uma compensação, ao que se sabe:
Se aqui não há um bem que sempre dure,
Ou a que nenhum desfeito se misture
Também não há um mal que não se acabe.
Outrora – a desventura de perdê-la
Hoje prescindo dos favores dela:
Bebo água limpa do meu próprio poço.
Sofrer até um limite xis eu posso,
Já que torna a alma resistente e bela,
Entre na trama austera da novela
Da vida que escolhi e ainda endosso
Não são os males ditos naturais,
Mas os do coração que doem mais
Há uma compensação, ao que se sabe:
Se aqui não há um bem que sempre dure,
Ou a que nenhum desfeito se misture
Também não há um mal que não se acabe.
13 de março de 2013
As Vantagens de Ser Invisível
Não quero realmente fazer uma resenha. Quero mais é deixar registrada essa sensação gostosa de ter tido uma experiência que é só minha. Singular e única, como o Charlie.
Então acho que tudo bem.
E quero que todos sejam felizes.
Realmente felizes.
12 de março de 2013
Blackbird
"Blackbird singing in the dead of night, take these broken wings and learn to fly. All your life, you were only waiting for this moment to arise."
Falar do futuro é sempre assustador, mas dessa forma fica tão bonito!
9 de março de 2013
Ela falou alguma coisa sobre os meus olhos.
Elogiou as cores, os contornos... Algo assim.
Mas eu só fiquei pensando que tenho de encontrar uma vacina contra a paixão que sinto pelas pessoas que demonstram gostar de mim.
As palavras morreram nos meus lábios, atrás dos dentes.
O que fazer? Agradecer? Desiludir? Ou cobrar explicações mais detalhadas? Tentar encontrar a verdade?
Desisti... Não iria conseguir expressar o que senti.
Não. Eu apenas sorri forçado para ela e fiz um trejeito exagerado com a cabeça, tentei ser engraçado.
Típico.
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)

